Sermão – Demos frutos na vinha de Deus (Isaías 5:1-7 | Mateus 21:33-43) – 4 de outubro de 2026

As leituras deste domingo nos apresentam duas imagens que são ao mesmo tempo belas e muito desafiadoras: a vinha e o fruto.
Numa primeira leitura, o profeta Isaías fala de um homem que possuía uma vinha e fazia tudo ao seu alcance para que ela produzisse boas uvas.
Ele preparou o solo, removeu as pedras, plantou as melhores videiras e construiu uma torre para protegê-la. Fez tudo ao seu alcance. Mas, quando chegou a época da colheita, a vinha produziu uvas ruins e sem valor.
Este laço representa o povo de Israel, mas também representa cada um de nós.
Deus é o agricultor que cuida de nossas vidas com amor, paciência e altruísmo. Ele cumpre Sua promessa, permanece ao nosso lado nos momentos difíceis, perdoa nossos pecados e nos dá oportunidades para recomeçar.
Mas hoje a Palavra de Deus nos faz esta pergunta: Que frutos produzimos no jardim do Senhor?
Deus prepara tudo para que possamos dar frutos; mas nós também precisamos fazer a nossa parte para chegar a Deus.
Na Bíblia, Jesus retoma a imagem da vinha, contando a parábola dos trabalhadores da vinha que mataram os vinhedos.
Um dono de vinhedo plantou uma vinha, cercou-a, construiu uma prensa de vinho e uma torre no interior, e arrendou a vinha a alguns trabalhadores. Quando chegou a época da colheita, enviou os seus servos para recolher os frutos. Contudo, maltratou alguns dos trabalhadores e chegou mesmo a matar outros.
Por fim, o dono da vinha enviou o próprio filho, pensando que o respeitariam. Mas os trabalhadores da vinha também o mataram, na esperança de se apoderarem da herança.
Essa analogia nos conta a história da libertação.
Deus nunca deixou de amar o seu povo. Ele enviou profetas para chamar Israel ao arrependimento, mas a maioria não deu ouvidos. Finalmente, enviou o seu próprio Filho, Jesus Cristo; ele também foi rejeitado e crucificado.
No entanto, essa analogia não se refere apenas ao passado. Ela também se aplica a nós hoje.
Quantas vezes desejamos nos beneficiar dos dons de Deus, mas nos esquecemos de que somos apenas os administradores do Seu jardim?
A vida, a família, os talentos, o trabalho e os bens materiais são todos dons de Deus.
Não somos donos absolutos de nada. Somos chamados a abordar tudo com responsabilidade e a colocar nossas habilidades a serviço dos outros.
Nossos corpos e nossa saúde também são dádivas que Deus nos confiou por um tempo limitado, até que Ele queira nos chamar para a vida eterna.
Às vezes, nos comportamos como os sapateiros da alegoria. Queremos que tudo seja nosso, que nossa vontade prevaleça e que ninguém nos diga o que fazer.
Esquecemos que Deus tem um lugar em nossas vidas e que os outros também têm direitos.
Muitas vezes nos esquecemos de que não temos controle total sobre nossas vidas. Sabemos que estamos vivos hoje, mas quem sabe o que o amanhã nos reserva?
É Deus quem tem o controle sobre a vida e a morte. Ele tem a palavra final sobre as nossas vidas.
Portanto, devemos considerar tudo o que possuímos como um legado de Deus, e devemos cuidar bem disso e administrá-lo adequadamente.
No fim, devolveremos tudo a Deus.
Portanto, é muito importante respeitar e obedecer à mensagem que Deus nos transmitiu por meio dos profetas e de Jesus.
Ele não decidiu vir a este mundo porque não tinha nada mais importante a fazer. Ele veio trazer a mensagem da salvação porque nos amou tanto que chegou a sacrificar a própria vida por nós.
Na Bíblia, os trabalhadores da vinha mataram o filho. Da mesma forma, os judeus daquela época mataram Jesus.
Então, o que estamos fazendo? Não estamos também matando Jesus?
Podemos rejeitar Jesus não apenas com nossas palavras, mas também com nossas ações.
Rejeitamos Jesus quando pecamos, quando alimentamos o ódio, quando nos recusamos a perdoar, quando somos indiferentes ao sofrimento alheio e quando fechamos nossos corações à Sua Palavra.
Rejeitamos Jesus quando não queremos ouvir o que ele diz e obedecer-lhe.
Mas há uma mensagem de esperança nesta Bíblia.
Jesus diz:
A pedra, rejeitada pelos construtores, tornou-se a pedra fundamental.
A pedra rejeitada é o próprio Cristo. Ele foi rejeitado, humilhado e crucificado, mas Deus o ressuscitou e o tornou o fundamento da nossa salvação.
Isso significa que o pecado e a rejeição não têm a palavra final.
Deus pode trazer vida mesmo onde a morte parece ser a única coisa presente. Ele pode transformar nossos pecados e falhas em oportunidades para mudarmos nossas vidas e recomeçarmos.
Portanto, hoje podemos nos perguntar: Como estamos cuidando daquilo que Deus nos confiou? Estamos produzindo os frutos que Ele espera de nós?
Temos consciência de que tudo o que possuímos nos foi dado por Deus por um período de tempo para nos sustentar, e que eventualmente teremos que devolvê-lo?
O Senhor não espera de nós uma vida perfeita; Ele espera um coração pronto para ouvi-Lo, para mudar e para dar frutos.
Que este domingo nos ajude a compreender que nossas vidas só encontram verdadeiro significado quando dão frutos. Não sejamos donos egoístas da vinha; sejamos trabalhadores leais que a protegem com devoção e generosidade.
Quando o Senhor finalmente vier buscar o fruto da nossa vinha, que Ele encontre em nós uma vida marcada pela fidelidade ao Evangelho.
Que a Virgem Maria interceda por nós, lembrando-nos de não desperdiçar os dons que recebemos e de sermos sempre gratos por tudo o que Deus nos deu.



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