top of page
Buscar

Sermão da Sexta-feira Santa – 3 de abril de 2026, Ano A

  • 3 de abr.
  • 6 min de leitura

Hoje celebramos a Sexta-feira Santa. Hoje e amanhã a Igreja não celebra nenhum Sacramento. Estes são os únicos dias do ano em que a Santa Missa não é celebrada, porque hoje celebramos o sacrifício da morte de Jesus na Cruz. As bênçãos do Pão e do Vinho não são recitadas. Neste dia, também não temos a oportunidade de adorar Jesus na Eucaristia, porque adoramos na presença de Jesus na Santa Cruz. As igrejas permanecem vazias, mais sombrias, mais escuras. Tudo assume uma atmosfera fúnebre porque o nosso Salvador está morto. Ou melhor, nós matamos o nosso Salvador com os nossos pecados. Quão ingratos somos para com Deus.


O culto de hoje será composto pelas seguintes partes: - Primeiro, as Leituras e a Oração Universal foram lidas. Hoje, rezamos especialmente por todo o mundo, porque o poder da Cruz de Jesus significa salvação para o mundo inteiro. - Na segunda parte do culto, veneraremos a Santa Cruz. Como não haverá Eucaristia hoje, veneramos a Santa Cruz e nos ajoelhamos diante dela em sinal de adoração. - A terceira parte é a Comunhão. Não haverá Missa hoje, mas a Comunhão será distribuída.


Hoje quero falar um pouco sobre o sofrimento de Jesus na cruz. Às vezes é muito difícil contemplar profundamente o sofrimento e a morte, especialmente quando vemos apenas o aspecto externo e visível deles.


O que não vemos, e o que é verdadeiramente importante, é o amor escondido por trás dessa dor.


Um grande amor pode até levar alguém a sofrer por amor à pessoa amada. Um amor infinito, como o amor de Deus por nós, pode chegar ao ponto de sacrificar a própria vida por nós.

E não temos dúvida de que Jesus nos ama. Ele nos provou isso por meio de suas palavras e exemplo. “Ninguém demonstra mais amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13) “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Marcos 2:17) “Venham a mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11:28) “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3:16) “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas.” (João 10:11) “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34) “Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor.” (João 15:9)

Afinal, o que é o amor? Essa palavra é usada com tanta frequência hoje em dia. É muito fácil dizer que amamos alguém. Mas o que isso significa? Para um cristão, o amor é tudo na vida. O amor é a essência da moral cristã.

O amor é uma virtude que Deus colocou em nossas almas. Juntamente com a fé e a esperança, o amor é uma virtude necessária para a nossa salvação. Fé, esperança e amor.

No Paraíso, não precisaremos mais de fé, pois veremos a Deus. No Paraíso, não precisaremos mais de esperança, pois alcançaremos aquilo que tanto esperávamos.

Mas no paraíso teremos amor, porque é o amor que nos permite unir-nos a Deus. E no paraíso, alcançaremos a união perfeita com Deus.

Mas precisamos começar a vivenciar esse amor neste mundo.

Filantropia é um amor benevolente; mais precisamente, um amor benevolente baseado na amizade. O que isso significa?

1 – A caridade é amor. O amor é a união do desejo com o ser amado. O amor me atrai para uma boa ação e me faz querer unir-me a ela.

2 - O amor é amor benevolente.

Este é um tipo de amor racional. O amor benevolente, por outro lado, é amar alguém por si só. Não se ama pelo benefício que se espera obter, mas simplesmente porque o objeto do amor é o que é.


3 - O amor é o amor da amizade.

Segundo São Tomás de Aquino, o primeiro aspecto desse amor fraterno é este: “Na amizade, a ação de uma só pessoa não basta; é necessária a ação conjunta de duas pessoas que se amam mutuamente.”


A reciprocidade é essencial para a amizade, porque a amizade é um ato de amor que anseia por reciprocidade: "O mais importante na intenção do amor é ser amado em troca, porque a tendência do amor é, primordialmente, atrair o amado para o próprio amor."

Por fim, a amizade existe quando se baseia na partilha de bens. Essa partilha de bens constitui a base de uma vida em comum. Portanto, os amigos desejam viver juntos ou estar juntos.


Portanto, a caridade é um amor benevolente; ou melhor, o amor benevolente da amizade.

Portanto, esse amor deve ser recíproco. Se Jesus nos amou, nós também devemos aprender a amá-lo.


Então, como podemos amar Jesus?

Por meio de nossas palavras, nossos sentimentos e nossas ações.

As palavras são importantes, mas muitas vezes podem ser vazias e insinceras. As palavras são esquecidas rapidamente. Os sentimentos também são importantes porque nos ajudam a começar a desejar ou amar algo. No entanto, os sentimentos também podem ser enganosos. Não nos sentimos bem todos os dias. Os sentimentos mudam muito dependendo dos acontecimentos da vida e dos hormônios no corpo. Portanto, para que o amor seja real, ele precisa se manifestar por meio de ações tangíveis e duradouras. Só assim podemos dizer que o amor é genuíno.

Então, como era o amor de Jesus por nós? Ele nos deu o exemplo, veio ao mundo, viveu como nós, sofreu e morreu para apagar os nossos pecados. Jesus não apenas proferiu palavras gentis e demonstrou compaixão. Ele sofreu e morreu por nós para que pudéssemos alcançar a vida eterna.

Então, como o sofrimento pode ser amor? O sofrimento prova a grandeza do amor. Porque o amor é tão grande que é capaz de sofrer pelo bem-estar do amado. Este é o amor benevolente, que deseja o bem-estar do amado, não o próprio. E eu sou capaz de não desistir, e até mesmo sofrer, pelo bem-estar daquele que amo. O sofrimento é uma consequência e uma manifestação da grandeza do amor que possuímos. Além disso, como vimos, o amor é o amor da amizade. O amor da amizade deve ser recíproco. Assim como sou amado, eu também devo saber amar.

Qual a extensão do amor de Deus por nós? Vejamos a crucificação. Ele nos amou tanto quanto Jesus sofreu por nós. O amor de Deus por nós é infinito e se estende até a última gota do seu sangue. Vejamos o sofrimento de Jesus.

Apesar de sua condição divina, Jesus, como ser humano, aceitou todo o sofrimento e a humilhação.

Primeiro, ele se humilhou ao assumir as limitações de uma natureza pequena e se tornou humano. E além disso, aceitou de bom grado o pior castigo, morrendo como o pior homem, para salvar aqueles a quem havia dado tudo.


Jesus suportou diferentes tipos de sofrimento durante a Paixão de Cristo:


- Uma dor delicada causada por algo que prejudicou o corpo: ele foi preso; espancado; açoitado com vários tipos de chicotadas; estava com fome e sede e não comeu nada desde a prisão até morrer na cruz; foi coroado de espinhos; depois de ser açoitado, teve que carregar sozinho a pesada cruz; e quando chegou, suas mãos e pés estavam perfurados com pregos afiados.


- Internamente e moralmente: a tristeza de estar sozinho e injustiçado; a vergonha de ser acusado por todos de ser o pior dos ladrões; o medo do imenso sofrimento que está por vir, que o deixa encharcado de suor; a dor de ver sua mãe sofrer e não poder fazer nada.


- Finalmente, ele sentiu a dor de todos os pecados da humanidade.

 

Se Jesus é nosso amigo, devemos retribuir esse amor. Como podemos retribuir um amor tão grande?


Amizade e afeto devem ser recíprocos.


E esse amor deve ser expresso por meio de ações, e não de palavras.


Esse amor deve sempre se basear na resolução de cumprir a vontade de Deus. Todos os dias devemos nos comprometer a nos afastar do pecado e do mal e a buscar a santidade.


Além disso, ao amarmos nossos irmãos e irmãs — as pessoas que Deus colocou em nossas vidas — devemos também nos comprometer a amar a Deus todos os dias.


Assim, o amor de Deus se manifesta de forma mais tangível. Quando amamos o nosso próximo, o nosso amor por Deus torna-se real.

 

Mesmo sofrendo, Jesus não se rebelou; continuou amando. Do alto da cruz, Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

 

Sigamos os passos de Jesus neste caminho, até à cruz, e peçamos a Deus que nos conceda a graça de amar como Jesus nos amou.


Que o nosso amor por Deus e pelos nossos irmãos e irmãs seja demonstrado através de ações concretas.


Que a Virgem Maria nos ajude a aprender que a cruz é um sinal do amor infinito de Deus pela humanidade. Que ela nos ensine a amar como Jesus.

 
 
 

Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.

SERMÃO

bottom of page